Editorial publicado pelo jornal O Popular com relatos postados neste Blog. O texto nos convida a uma reflexão seguida de ação!

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“O que aconteceu comigo foi muito doloroso… Meu avô era alcoólatra… Minha avó, submissa a seus caprichos… Nós três sabíamos de tudo… Eu era uma criança… acho que tinha uns quatro anos… talvez… quando o meu avô me mandava pegar, brincar, chupar, eu fazia tudo com a maior naturalidade, porque muitas vezes minha avó fingia que não via…” garota, 11 anos, vítima de abusos.

 

“Tenho nojo do meu corpo, medo de sair na rua e de ficar em casa. Não estou bem em lugar nenhum, acho que a qualquer momento vai acontecer de novo” garota, 13, vítima de estupro.

 

“Eu fui uma de tantas crianças que foram abusadas sexualmente na infância por meu pai. Não fui a primeira nem a última. Antes de me abusar, ele já abusara de crianças e adolescentes, tanto na família de origem dele como na da minha mãe. Minhas lembranças de ter sido abusada por ele, vêm desde a época que eu ainda ia ao jardim de infância. Meu pai me assediava diariamente e esta tortura durou por toda minha infância e também adolescência, quando comecei a tentar me esquivar dele e a protestar contra suas investidas.

Como é comum de abusadores deste tipo, desde pequenina meu pai fazia chantagens emocionais comigo, pedia que eu guardasse segredo, como prova de meu amor por ele, pois caso contrário ele afirmava que seria preso. Ele dizia que as pessoas não entenderiam este amor dele por mim. Segundo ele, este amor que ele dizia sentir por mim era o maior que ele já tivera. Ele dizia não sentir amor por minha mãe e sim por mim”.  Depoimento de uma mulher sobrevivente que sofria abusos sexuais na infância.

 

Ele tinha um gorila e uma ursinha de pelúcia, e me dizia que os dois eram noivos, e que ele iria me ensinar a brincar. Joguei Chicho, o gorila, longe mil vezes, na esperança que tudo fosse terminar”, Hoje com 17 anos, menina conta com começou os abusos quando ainda tinha quatro anos de idade

 

Os depoimentos acima caro leitor, são reais, e por mais incrível que pareça, não são tão distantes de nós. Se você ficou atordoado com a gravidade e dor que esses relatos nos trazem, nós do Jornal o Popular queremos abrir os seus olhos e lhe informar que aqui em Nova Serrana esse cenário de dor é algo diário e próximo de todos nós.

Por semana cerca de dois casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes são levados, denunciados e investigados pela Delegacia Regional da Polícia Civil. Hoje cerca de 70 casos estão sendo investigados em Nova Serrana, isso sem falar dos casos que já estão no Ministério Público.

Diante disso caro leitor, você pensa que essa situação acontece com os menos favorecidos financeiramente, você pensa que eles não acontecem ao seu redor, isso porque talvez você não percebeu que quando só o “TIO” vira monstro, e o carinho que é dito para uma criança como amor se torna a dor de um abuso sexual.

Fechamos nossos olhos, e ignoramos o fato de que a pureza da criança esta sendo tirada desde cedo. O trauma é causado, mas aquele que é a verdadeira vítima, se esconde como o culpado, se sente sujo, acusado, se sente responsável pela dor que ainda não compreende e por esse motivo carrega sobre suas costas o peso da insanidade de uma sociedade doente.

O abuso acontece sem causa, sem motivo, sem uma explicação, não para o abusador, mas para a criança que desde cedo aprende a não fazer distinção do que é dor e do que é amor.

Se você caro leitor, por algum motivo desconfia de qualquer prática semelhante, se você foi vitima de qualquer tipo de abuso, você é mais do que responsável pelo futuro de nossas crianças.

Se você ainda não vivenciou algo semelhante de perto, tem a missão de ficar atento e proteger nossos pequenos para que esse demônio não venha tirar o seu sono ou o que tem de mais belo a pureza.

Em Nova Serrana no dia 20 próximo terá inicio o projeto PROTEJA, e nós deste Popular convocamos você cidadão, que foi ou não vitima de abusos infantil, que seja um colaborador e que abrace esse projeto, pois assim, quem sabe assim, podemos ser socialmente responsáveis pela diminuição da incidência de relatos como os publicados neste editorial no dia a dia de nossas crianças.

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