A MÃO INVISÍVEL

 

         Quão agradável é o toque suave de uma mão!

         É impossível se esquecer de uma mão que oferta carícias.

         É impossível se esquecer de uma mão que violenta ofertando carícias.

         Sabrina levou um tempo para descobrir que há carícias que afagam e há carícias que afagam com violência.

         Ela tinha cinco anos quando foi morar com seus tios. Seus pais partiram em busca de melhores condições de vida, levando somente seu irmão de apenas 3 anos.

         Os tios que acolheram Sabrina, até que seus pais retornassem para buscá-la, tinha quatro filhos, com quem Sabrina dividia uma casa de apenas 4 cômodos: um banheiro, uma cozinha, o quarto do casal e um segundo quarto, com três camas, onde se amontoavam Sabrina e seus quatro primos.

         Até aqui nenhum problema! Dividir uma casa pequena com um número grande de pessoas é a realidade de muitas famílias brasileiras. Muitas famílias brasileiras e felizes.

         Mas Sabrina não era feliz. Sabrina não se sentia feliz. Sabrina sentia saudades. Era frágil – a fragilidade presente no ser de toda criança, Sabrina a demonstrava em proporções muito, muito maiores.

         A frágil menina sentia saudades! A frágil menina sentia medo! A frágil menina sentia carinho, sentia carícias... A frágil menina sentia uma mão... Sim! Uma mão... Uma mão invisível a lhe tocar todas as noites, quando todos já dormiam ou deveriam estar dormindo.

Alguém no quarto de Sabrina não dormia e todas as noites, algum tempo depois que as luzes se apagavam e o silêncio invadia aquela pequena casa, Sabrina sentia uma mão invisível e silenciosa a lhe tocar o corpo; a lhe afagar os cabelos. Uma mão suave que passeava por todo o corpo de Sabrina, até lhe alcançar a face e de forma carinhosa abafar um som que lhe murmurava ao ouvido:

__ Você é minha bonequinha! Eu vou cuidar de você. Vou lhe dar o que você quiser. Vou lhe trazer seus pais.

___ Bonequinhas boazinhas, Sabrina (continuou ele) sabem guardar segredo; e esse é nosso segredinho.

         Ao ouvir estas palavras carregadas de doçura, ao pé de seu ouvido. Sentimentos confusos atordoavam Sabrina, que mesmo assustada, não desejava que esta mão se afastasse; a mão que iria lhe trazer os seus pais de volta. A mesma mão que lhe apavorava por existir e lhe tocar apenas durante o negrume da noite.

         Sensações contrastantes invadiam aquela menina (prazer, medo, conforto, angústia) Sabrina permanecia inerte, sem movimento, parecia conseguir inclusive silenciar o som das batidas de seu coração.

Enquanto tentava organizar seus sentimentos, aquela mão mais uma vez se deslizava pelo corpo da menina. E desta vez bem ligeiramente, pois não poderia correr o risco de que mais alguém acordasse na casa.


Espero que uma mão invisível venha lhe tocar nesse momento. Venha lhe afagar os cabelos; lhe aquecer o coração; que venha uma mão descruzar os seus braços  e preparar você para o enfrentamento à violência acometida a tantas “sabrinas” do mundo inteiro. Que venha uma mão lhe tocar! Que venha a mão do Criador lhe tocar!

 

 

História escrita por Sirlane e adaptada por Aiandra Abrantes Pinheiro- Educadora Social do Creas de Malaccaheta

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