Como eu tinha prometido, um depoimento sobre o meu filho adotivo

Tenho 31 anos, casado, pai de 3 filhos, sendo gêmeos biológicos de 4 anos e o outro de 13 anos adotivo. Chega a ser interessante por que o adotivo na verdade é meu cunhado, irmão da minha esposa. Desde que me lembro era um menino normal, sempre que eu ia à casa da minha esposa quando namorávamos o via muito apegado à mãe. Desde muito pequeno sonhando em ser médico, inclusive lembro um dos seus aniversários dei um estetoscópio realístico de brinquedo e foi quase aí onde comecei a conhecer o que era a real felicidade no coração de uma pessoa. Minha esposa ficou grávida e nos casamos, pouco depois a mãe deles morreu, transformando totalmente a vida de um menino feliz de 10 anos pra um garoto triste de cantos. Seu pai, comumente como em todas as famílias, possuía um temperamento diferente, ora estava calado, ora estava falante, estressado, normal, sorridente, etc... Mas do nada também muda totalmente para um homem violento. Estávamos felizes com nossa casa nova, meu novo emprego dos sonhos e principalmente a nova família que estávamos construindo com a dupla chegada mais esperada. Ele sempre vinha passar um final de semana ou até mesmo um tempo maior em casa quando tava de férias e sempre tinha algo de estranho cada vez que ele vinha. Quando ia tomar banho que voltava, sempre me chamavam atenção as marcas que tinham no corpo dele principalmente na parte das costas e nunca falava nada sobre. Passei a dizer pra minha esposa e ela sempre dizia que poderia ser algum problema que causou ao pai deles. Como havia dito num post anterior, passei por algo muito parecido e aquilo estava mexendo muito comigo, não conseguia dormir direito a noite. Um dia recebemos uma ligação que ele estava  e fomos prestar socorro, chegamos no local e ele estava com bastante sangue saindo do nariz. No hospital fomos avisados que ele precisaria de acompanhamento médico durante um tempo pois havia lesionado um dos testículos. A primeira coisa que fiz foi agarrar a gola do pai deles e pedir uma explicação, também que aproveitasse e explicasse as marcas que estavam no corpo dele mas logo fui contido por minha esposa e os outros irmãos, perguntava a todos e ninguém me respondia. Não aceitava a ideia de que com tantos irmãos não houve ninguém que pudesse impedir isso. Decidi denunciar meu sogro mas minha mulher me convenceu a darmos uma chance a ele, combinamos que eu decidiria o que fazíamos com o caso do irmão pequeno e ela decidiria o que fazer com o pai. Decidi trazê-lo para morar conosco, ela de início não aceitou mas quando perguntei se ela queria que se repetisse acabou aceitando. No mesmo dia quando ele tava dormindo em casa, sentei na cama e fiquei um momento observando-o dormir. Puxei um pouco sua coberta, levantei com cuidado sua camisa e vi aquelas marcas. Senti gelar minha espinha, fechei meus olhos cheios de lágrimas e me perguntei o porquê de estar fazendo aquilo, "não tinha nada a ver comigo", "já tinha superado a maioria dos meus traumas", não sabia a real resposta. Quando ele se acordou sentamos e conversamos nós 3, nos contou que o pai batia de tudo, desde fio até mesmo de ferro de boi. Naquela vez levou um soco em cheio no nariz e teve o testículo lesionado por uma pisoteada e consequentemente desmaiado. Estava pálido, demonstrava estar sentindo dor, além de que seu nariz ainda estava inchado e com sangue.
Como decidido ele iria morar conosco, no início foi complicado pois não estávamos mais tão a vontade e nem ele, mas logo que se recuperou fomos a um psicólogo e começamos a nos aproximar mais como um todo. Fui orientado a acompanhá-lo nas sessões do urologista ao invés da minha esposa e assim fiz mas sempre esperava do lado de fora do consultório. Nossa relação começou a ficar mais próxima quando comecei a passar muito tempo em casa, eu ia jogar videogame e ele ficava olhando, chamei uma vez não veio, insisti até que quis. Daí começamos a conversar mais, acabei percebendo que ele não gostava de ficar sozinho. Um dia minha esposa saiu com os meninos e fomos jogar no meu quarto, já tarde da noite perguntei se ele não queria dormir no meu quarto, ele aceitou. Fiquei com pena de deixar ele dormir no chão chamei pra dormir na minha cama e ele veio. De manhã quando me acordei a cabeça dele tava encostada no meu peito e antes de eu sair a levantei um pouco e ajeitei no travesseiro. Quando fui preparar o café da manhã ficava o tempo todo pensando naquele momento. Comecei a conversar sobre a vida dele e acabei percebendo que era um menino extremamente inteligente e que a brincadeira de algum tempo atrás tinha se tornado um sonho de se tornar médico legista. Descobri também por um colega de escola que ele sonhava em conhecer a praia e fomos. Apesar do medo que sentia da água, o vi numa felicidade enorme o que me deixou feliz também, decidi pegar a guarda judicial dele até que ele se graduasse ou quando quisesse. Com o tempo fomos aos poucos nos apegando, mas sempre tem que existir um trauma. Uma vez numa festa de família, o pai dele chegou e sentou numa mesa um pouco distante da gente. Ele ficou suando frio e quando foi se levantar, um dos meus gêmeos sem querer bateu com o prato nos testículos dele, não parecia ter sido tão forte mas o vi bem pálido e fui ajudá-lo, depois fomos num médico e não tinha tido nada. Já estávamos muito apegados e um dia cedo estávamos caminhando na praia, tirei minha camisa e me sentei à sombra de um coqueiro. Ele sentou do meu lado e colocou a mão nas minhas costas, como resultado sentiu minha cicatriz e perguntou. Inicialmente fiquei com receio mas decidi contar minha história, as únicas coisas que omiti foram os abusos sexuais que sofri, e também por não saber que ele também tinha sofrido. O tempo todo ele ficava de cabeça baixa ouvindo atentamente, quando terminei ficamos um tempinho em silêncio até que peguei ele coloquei nas minhas costas fui entrando na água. No início se esperneou, não queria, ia se afogar, etc... depois se encostou mais e apertou o abraço. Senti que daquele dia em diante nossa relação ficou muito mais próxima, não existia mais o descer da carona pra escola sem um abraço, minha esposa agora reclamava porque ligávamos a televisão e em menos de 10 minutos estávamos dormindo de cabeça encostada, reclamava também que minhas loucuras de ficar jogando areia enquanto ela passava protetor solar estava passando pra os 3 meninos. 
Descobri que ele também sofria abusos sexuais(fora as sevícias sexuais) num outro dia estávamos numa fazenda, em uma reunião de amigos de trabalho. Ele subiu numa árvore pra pegar algumas frutas e tava com medo de descer, eu disse pra pular que eu o seguraria. Era uma altura um pouco maior que eu e ele decidiu pular. Assim que o segurei caí e ele acabou caindo com o joelho na minha área genital, pela dor fiquei um tempinho no chão e ele me pedindo desculpa. Não passei tão mal quanto ele, o máximo que aconteceu foi eu ter suado e então saímos. Percebi que ele tinha ficado muito preocupado toda hora me perguntava, tempinho depois o chamei e conversamos sobre essa preocupação toda, eu sabia que ele tinha sofrido esse tipo de coisa mas sabia que tinha algo estranho. No desenrolar da conversa fiquei sabendo que o pai dele além de violento era pedófilo. No dia das surras esperava ele dormir pra poder se masturbar na cama dele ou passar a mão nas pernas. Assim como eu ele nunca chegou a ser penetrado por um pênis mas teve o testículo lesionado como antes mencionado. Me contou 
Nem preciso dizer o quanto a gente já estava apegado, e não só por nossa parte mas pelo destino também, pois na confraternização de Natal peguei o nome dele no amigo secreto e não contive minhas lágrimas dizendo o quanto já o amava e o presenteei com um jaleco com seu nome e "Médico Legista", que fiz tanto ele quanto minha esposa chorarem. O dia dos pais foi o mais incrível dia que passamos juntos, pois ambos em comum não nos dávamos bem com nossos pais mas logo cedo fui acordado com cesta de café da manhã, e a mesada do mês que ele recebia de mim, comprou um livro que eu sonhava em ter desde pequeno. Minha esposa pediu que fôssemos visitar o pai dela a família toda junta somente pra ela desejar feliz dia dos pais mas quando chegamos lá ele admitiu ter depressão e tomar muito medicamento controlado, sentia falta de todos os filhos, principalmente o mais novo(que eu e minha esposa acabamos de adotar). Nessa hora não me segurei de tanta raiva que tive e avancei sobre ele e dei um soco. Pra nossa sorte meu amigo de trabalho tinha ido junto com a gente e ele me segurou, tem um porte físico bem mais definido que o meu e é bem forte. Dali mesmo comecei a gritar que era mentira e que ele queria era fazer tudo de novo, não ia tirar o garoto de mim, ele só ia sair da minha casa quando se tornasse um homem... Mas acabei percebendo que todo mundo em volta me olhava abismado, nada de mais se meus 3 filhos não tivessem junto observando também. Saí e fui pro carro, fiquei lá sozinho mas o adotivo chegou e apertou minha cabeça contra o peito dele abafando meu choro. Decidi ir embora e ele veio junto, começamos a jogar videogame e do nada me bateu uma ideia de fazer algo bem diferente. Então peguei a moto do meu irmão emprestada e passeamos por vários interiores. O mais legal foi que num desses paramos para almoçar e tinha uma ferrovia abandonada e então começamos a segui-la sem sem nenhum rumo e depois pegamos um desvio e voltamos pra casa no final da tarde.
Enfim, depois de ter realizado meu sonho minhas maiores realizações foram a de ser pai e depois de ter conseguido pelo menos salvar a vida desse menino. Seria muito legal se pelo menos entre, sei lá, 2 a 4 famílias pelo menos uma criança vítima de qualquer forma de abuso fosse adotada.

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Parabéns pelas suas atitudes Mário André. Feliz dia dos pais!!

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