A MÃO INVISÍVEL

Autora: Sirlane Fereira dos Santos. Adaptação: Aiandra Abrantes Pinheiro (Capelinha-MG) e Carlos Fortes (Divinópolis-MG).

         Quão agradável é o toque suave de uma mão!

         É impossível se esquecer de uma mão que oferta carícias.

         É impossível se esquecer de uma mão que violenta ofertando carícias.

         A criança levou um tempo para descobrir que há carícias que afagam e há carícias que afagam com violência.

         Ela tinha cinco anos quando foi morar com seus tios. Seus pais partiram em busca de melhores condições de vida, levando somente seu irmão de apenas 3 anos.

         Os tios que a acolheram, até que seus pais retornassem para buscá-la, tinha quatro filhos, com quem ela dividia uma casa de apenas 4 cômodos: um banheiro, uma cozinha, o quarto do casal e um segundo quarto, com três camas, onde ela se amontoava com seus quatro primos.

Até aqui nenhum problema. Dividir uma casa pequena com um número grande de pessoas é a realidade de muitas famílias brasileiras. Muitas famílias brasileiras e felizes.

         Mas a criança não era feliz. Sentia saudades. Era frágil. A fragilidade presente em toda criança... ela a demonstrava em proporções muito, muito maiores.

         A frágil menina sentia saudades! A frágil menina sentia medo! A frágil menina sentia carinho, sentia carícias... A frágil menina sentia uma mão... Sim! Uma mão... Uma mão invisível a lhe tocar todas as noites, quando todos já dormiam ou deveriam estar dormindo.

Alguém que ia ou estava no quarto dela não dormia... e todas as noites, algum tempo depois que as luzes se apagavam e o silêncio invadia aquela pequena casa, a criança sentia uma mão silenciosa a lhe tocar o corpo; a lhe afagar os cabelos. Uma mão suave que passeava por todo o seu corpinho, até lhe alcançar a face e de forma carinhosa abafar um som que lhe murmurava ao ouvido:

- Você é minha bonequinha! Eu vou cuidar de você. Vou lhe dar o que você quiser. Vou lhe trazer seus pais. - Bonequinhas boazinhas, menina (continuou ele) sabem guardar segredo; e esse é nosso segredinho.

         Ao ouvir estas palavras carregadas de doçura, mas de lascívia também, ao pé de seu ouvido. Sentimentos confusos atordoavam a menina, que mesmo assustada, não desejava que esta mão se afastasse; a mão que iria lhe trazer os seus pais de volta. A mesma mão que lhe apavorava por existir e lhe tocar de modo estranho durante o negrume da noite.

         Sensações contrastantes invadiam aquela menina (medo, dor, conforto, angústia, esperança e desepero)... a criança permanecia inerte, sem movimento, parecia conseguir inclusive silenciar o som das batidas de seu coração. Não sabia lidar com isso.

Enquanto tentava organizar seus sentimentos, aquela mão mais uma vez  deslizava por todo o seu corpo de menina. Encontrava rincões sagrados e os profanava...

Isso aconteceu ontem, acontece hoje e acontecerá amanhã.

Não permita!

 

Autora: Sirlane Fereira dos Santos. Adaptação: Aiandra Abrantes Pinheiro (Capelinha-MG) e Carlos Fortes (Divinópolis-MG).

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Comentário de valeria ribeiro em 26 novembro 2012 às 15:23

pessoal, muito bom o alerta. além de revelar os sentimentos angustiados da criança há um grande apelo: "não permita". faço então um apelo, que se possa ser feito algo para garantir as condições mínimas para uma mãe evitar que esse tipo de coisa aconteça. pois essa questão do segredinho é altamente malígna. depois que o segredinho vem à tona, criança e mãe passam a ser perseguidas, além de todos os outros problemas que passa a enfrentar, inclusive ações judiciais alegando que a mãe está perpetrando o crime de alienação parental. é no mínimo uma situação muito complicada, pois se vc compactua do segredinho, sabe-se lá porque, pode ser incriminada por cumplicidade. se vc, enfrenta td para ajudar essa criança que geralmente quando te conta já está aos farrapos, vc pode se tornar réu em processos de calúnia e difamação e processos de alienação parental. fica a minha dica, meu apelo. ainda mais nessa crise atual do magistrado brasileiro em sobrepor a condenação por essa síndrome a outros aspectos e proteção da criança. no resto do mundo, pelo que tenho lido isso já começa a mudar. no brasil há inclusive o caso de uma menina que alienada da mãe pelo estado, por condenação de ser genitora alienante, faleceu após 90 dias em companhia do pai, pois esse a levou à morte maltratando-a. nos estados unidos, um menino após ser alienado da mãe por sentença que a condenava como genitora alienante, suicidou-se. precisamos chegar a mais casos trágicos para que essa sindróme comece a ser tratada com a devida crítica? e quando ela é usada como alegação de defesa do genitor abusador a coisa é ainda mais séria, pois além de ter cometido o abuso sexual contra a criança, passa a cometer diante dos olhos de toda a sociedade e embaixo do nariz do judiciário o crime de abuso moral, declarando que essa criança tem problemas psicológicos de submissão aos ditames da genitora. perdoem colocar a questão de forma tão direta, mas precisamos fazer algo. abração. deus os abençoe.

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