“Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta agora é osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e sua mulher; e não se envergonhavam.” (Gen: 2:21-25)

Vivemos num tempo em que a nudez do corpo toma cada vez mais espaço. Na Tv, nos outdoors, nas escolas, nas ruas, nas igrejas. Um tempo em que roupas vestem menos, e o corpo se mostra mais. Corpos que valem tão pouco!


Deparamo-nos com corpos empilhados por terremotos e atentados. Passamos por corpos jogados no chão das nossas ruas, vivos, mas como mortos. O corpo disforme.


Nas bancas de revista, o apelo: corpos e corpos nus .


Ao mesmo tempo, as salas dos terapeutas de casais, os consultórios de psiquiatras e psicanalistas, os gabinetes pastorais, estão cheios de homens e mulheres que vivenciam o esfriamento de sua vida conjugal, e vêem seu casamento se transformar numa lenta e interminável agonia. Traem e são traídos. Arrastam seus cônjuges por anos a fio, como cruz pesada e terrível.


Passando por Genesis 2 me pergunto: O que havia em Adão e Eva? Eram feitos da mesma matéria, pelo mesmo artesão, criaturas feitas uma para a outra.


Havia intimidade verdadeira.


A Bíblia, se utiliza do termo “conheceu” referindo-se à união no ato sexual: “E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu,...” (Gn 4:1). O termo conhecer está definido como unir-se. Pergunto então: Que realidade temos hoje?


Casais que não se conhecem. Não têm intimidade. Não compartilham suas dificuldades. Em contraponto ao despir do corpo físico, vestem com burka seu mundo de afetos. Talvez por isso tanta infertilidade, a sexualidade desfeita em receitas de revistas populares, o prazer que se busca com avidez num mundo de próteses e plástico.


A vida sexual precisa ser compreendida como conseqüência de intimidade, e não como a única alternativa para intimidade. Desnudar-se significa muito mais do que tirar a roupa. Há quem diga que dormir com alguém pode ser mais íntimo do que ter uma relação sexual, porque ao dormir estamos mais entregues, à mercê do outro. Em tempos de nudez banalizada, nos escondemos tanto!


O Ato Conjugal é um ato continuo, que se complementa com a alegria do prazer trocado entre o casal. É preciso haver troca efetiva, que toque a alma de cada um. Quando alguém toca um outro, prescinde de intimidade emocional. Na falta disso, morreremos de sede à beira da fonte.

“BEBE A ÁGUA DA TUA CISTERNA E DAS CORRENTES DO TEU POÇO.
DERRAMAR-SE-IAM POR FORA AS TUAS FONTES, E PELAS RUAS, OS RIBEIROS DE ÁGUAS?
SEJAM PARA TI SÓ E NÃO PARA OS ESTRANHOS CONTIGO.
SEJA BENDITO O TEU MANANCIAL, E ALEGRA-TE COM A MULHER DA TUA MOCIDADE.” (PV 6:15-18)

Um poço de água no deserto é uma dádiva preciosa de Deus. Ter um poço, uma fonte, é uma benção. Deixar que as fontes se derramem por fora, desperdício e ignorância.


Deus abençoou a humanidade com um manancial de energia, de vitalidade, de alegria, que é o amor do outro.
Quanto temos deixado de usufruir daquele(a) que nos foi dado pra dividirmos a caminhada nessa vida! Nos enfrentamos como num ringue, sem percebermos que estamos do mesmo lado da arena. Disputamos muito, desfrutamos pouco. Quem ganha o jogo? Todos perdem.


Trazemos para os nossos casamentos uma herança dos padrões de relacionamento com nossas famílias de origem, que nos marcaram, e frente aos quais acabamos por desenvolver outros, semelhantes ou contrários, mas freqüentemente inadequados porque não consideram os padrões do outro.


A primeira tarefa de dois que se casam, é, de fato, casarem-se. É abrirem mão da “ lealdade” aos padrões aprendidos em suas famílias de origem, para efetivamente abrirem-se para o outro. Se vamos à fonte com nossos cântaros cheios, não poderemos colher água. Ela se perderá. Tomar para mim uma fonte da qual não bebo, é desperdiçar o dom.


Os carros modernos nos dizem de outro sintoma que temos vivido. Usamos “ insufilm” demais. Perdemos a transparência. Não estamos interessados em voltar nosso olhar para fora mas, blindados por insufilm, ligamos o som e o ar e nos perdemos em nós mesmos. Dormimos com alguém todos os dias, e não sabemos os seus sonhos. Não sabemos os seus desejos, os seus medos. Dele(a) sabemos apenas a queixa repetida como rosário, tornada por vezes no único contato possível. O diálogo se cristaliza em queixas e rotina.


Precisamos limpar o diálogo. Fazer o livro de contas. Passar a limpo. No casamento, criar momentos para intimidade subjetiva, para tocar a alma do outro. Dispensar a meia luz, e despirmo-nos para o outro em nossas emoções, nossos anseios, nossa insegurança. Com a confiança de que aquele que me vê e em semelhança foi criado, quando em plena comunhão, é comigo uma só carne.

Maria Beatriz Versiani

Psicóloga - Divinópolis - MG

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